Relacionamento pós-operatório: cirurgiões devem manter contato?

Publicado em 03/11/2026 por Ana Luiza Viana

relacionamento pós-operatório

Principais tópicos

  • O Datafolha ouviu 2.086 brasileiros com 16 anos ou mais, e 26% afirmaram conhecer alguém que recorreu a profissionais não médicos para procedimentos estéticos.
  • Entre pessoas que já realizaram cirurgia plástica, 18% também recorreram a profissionais não médicos, contra 3% entre aquelas que nunca fizeram cirurgia.
  • Indicação de amigos ou familiares (34%) e preços mais baixos (28%) aparecem entre os principais motivos para a escolha desses profissionais.
  • Um segundo levantamento, com 425 cirurgiões plásticos associados à SBCP, projetou aproximadamente 1,56 milhão de cirurgias plásticas realizadas no Brasil em 2025.
  • Segundo os cirurgiões entrevistados, 54% dos pacientes vivem no interior e 46% em regiões metropolitanas, ampliando a importância do posicionamento regional dos consultórios.

 

Introdução

A relação entre o cirurgião plástico e seu paciente costuma receber maior atenção durante a fase que antecede a cirurgia. Nesse período, o consultório investe em comunicação, esclarecimento de dúvidas, atendimento e acompanhamento das decisões que levam ao procedimento. Entretanto, o vínculo construído ao longo dessa jornada não termina necessariamente com a recuperação cirúrgica. Dados recentes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), obtidos em levantamentos realizados pelo Datafolha, revelam comportamentos que tornam necessária uma discussão mais ampla sobre a continuidade do relacionamento médico-paciente e o papel da comunicação estratégica depois da cirurgia.

 

De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, cerca de 6,1 milhões de brasileiros afirmam já ter realizado procedimentos estéticos com profissionais não médicos, enquanto 26% conhecem alguém que recorreu a esse tipo de atendimento. Além disso, a proporção de pessoas que buscaram esses profissionais é seis vezes maior entre aquelas que já passaram por uma cirurgia plástica. Embora esse resultado não explique sozinho as razões do comportamento, ele evidencia a importância de compreender como os pacientes tomam novas decisões estéticas e de que maneira os consultórios podem continuar presentes nessa jornada.

 

O que os dados da SBCP e do Datafolha revelam sobre os pacientes de cirurgia plástica?

Os levantamentos da SBCP e do Datafolha mostram que a procura por procedimentos estéticos com profissionais não médicos também ocorre entre pessoas que já possuem experiência com cirurgia plástica. No levantamento populacional, realizado com 2.086 brasileiros de 16 anos ou mais, 18% dos entrevistados que já haviam realizado cirurgia plástica declararam também ter recorrido a profissionais não médicos para procedimentos estéticos. Entre aqueles que nunca passaram por uma cirurgia plástica, o percentual foi de 3%. Essa diferença de 15 pontos percentuais representa uma proporção seis vezes maior no primeiro grupo e revela um comportamento relevante para a compreensão do mercado.

 

Outro dado chama a atenção para o alcance desse fenômeno. Segundo a SBCP, em informações divulgadas pela imprensa, 26% dos brasileiros entrevistados conhecem alguém que já recorreu a um profissional não médico para realizar um procedimento estético, o equivalente a aproximadamente 43,2 milhões de pessoas na projeção apresentada. Entretanto, esse número representa indivíduos que conhecem alguém nessa situação, e não a quantidade de pacientes que efetivamente realizaram procedimentos. A distinção é importante para compreender a dimensão social do comportamento sem confundir conhecimento de casos com experiência pessoal.

 

Paralelamente, o segundo levantamento, conduzido com 425 cirurgiões plásticos associados à SBCP, projetou aproximadamente 1,56 milhão de cirurgias plásticas realizadas no Brasil em 2025. Conforme informações publicadas pelo jornal O Sul, as cirurgias mamárias representaram 34% das operações estéticas, seguidas pelos procedimentos de contorno corporal, com 28%. Além disso, 88% dos pacientes submetidos a cirurgias estéticas de médio e grande porte eram mulheres. Esses números demonstram a dimensão da atividade cirúrgica e reforçam a importância de compreender a experiência do paciente para além do momento da intervenção.

 

Por que pacientes que já fizeram cirurgia plástica também procuram profissionais não médicos?

A procura por profissionais não médicos envolve diferentes fatores, especialmente recomendações pessoais, preço e percepção de facilidade. Conforme os dados divulgados pela CNN Brasil, 34% dos entrevistados que relataram sua escolha ou a de conhecidos mencionaram a indicação de amigos ou familiares, enquanto 28% apontaram preços mais baixos. Outros 22% relacionaram a decisão à percepção de que o procedimento era simples, e 21% mencionaram maior facilidade de acesso, com menos consultas, exames ou etapas administrativas. Dessa maneira, a escolha não se explica exclusivamente pelo valor financeiro, mas também pela confiança nas recomendações e pela experiência percebida.

 

Para os consultórios de cirurgia plástica, esses resultados sugerem uma questão estratégica: a autoridade técnica de um profissional não determina, isoladamente, todas as decisões futuras de seus pacientes. Uma pessoa pode reconhecer a experiência do cirurgião responsável por sua operação e, posteriormente, considerar outras alternativas para procedimentos estéticos distintos. Entretanto, os levantamentos não permitem afirmar que essa escolha ocorreu por insatisfação, falta de acompanhamento ou rompimento do vínculo com o médico anterior. O que os números demonstram é a necessidade de compreender melhor os fatores que influenciam a decisão e de manter disponíveis informações qualificadas ao longo do relacionamento.

 

Também é necessário diferenciar profissionais não médicos de exercício ilegal da profissão. Dentistas, biomédicos, enfermeiros e outras categorias possuem formações e atribuições regulamentadas, embora os limites de atuação em determinados procedimentos estéticos sejam objeto de normas e discussões específicas. Portanto, a comunicação médica deve priorizar informações claras sobre qualificações, indicações, riscos e condições de atendimento, sem generalizar situações profissionais distintas. Nesse contexto, o cirurgião plástico pode utilizar sua experiência para orientar o paciente sobre procedimentos, limitações e critérios de segurança, fortalecendo uma relação baseada em conhecimento e confiança.

 

Como o relacionamento pós-operatório influencia a retenção de pacientes?

O relacionamento pós-operatório influencia a experiência do paciente porque mantém a comunicação e o cuidado organizados durante uma etapa que envolve recuperação, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento clínico. Entretanto, a retenção de pacientes na cirurgia plástica não deve significar estimular procedimentos desnecessários ou prolongar artificialmente o tratamento. Nesse contexto, fidelização corresponde à manutenção de um vínculo profissional que permita ao paciente reconhecer o consultório como uma fonte confiável de informações e atendimento quando surgirem novas necessidades. Essa perspectiva aproxima a estratégia de relacionamento dos princípios de continuidade do cuidado e de respeito à autonomia do paciente.

 

Evidências científicas sobre a experiência em cirurgias eletivas, publicadas no periódico Journal of Advanced Nursing em 2024, identificaram a troca de informações, as relações interpessoais e a coordenação assistencial como aspectos importantes da percepção dos pacientes. Além disso, uma publicação disponível na PubMed Central destacou a comunicação consistente, as expectativas realistas e o cuidado individualizado entre os elementos relevantes ao longo da jornada cirúrgica. Embora esses resultados não demonstrem diretamente um aumento de retenção comercial em clínicas de cirurgia plástica, oferecem fundamentos para compreender por que a qualidade do relacionamento continua importante depois do procedimento.

 

Na prática, essa continuidade pode envolver orientações educativas, canais organizados para dúvidas, acompanhamento conforme a indicação médica e informações confiáveis sobre recuperação e saúde. Além disso, o consultório pode manter uma comunicação institucional relevante depois do encerramento do acompanhamento clínico, respeitando o consentimento e as preferências de contato do paciente. Essa presença não deve confundir publicidade com assistência médica, mas pode contribuir para que o profissional permaneça reconhecido como uma referência de informação. Assim, o relacionamento deixa de depender exclusivamente de contatos relacionados à cirurgia e passa a integrar uma experiência mais ampla de confiança e comunicação.

 

Como a comunicação digital pode fortalecer a autoridade do cirurgião plástico?

A comunicação digital pode fortalecer a autoridade do cirurgião plástico quando apresenta sua formação, experiência profissional, áreas de atuação e conhecimentos de maneira clara, consistente e verificável. Entretanto, a presença nas redes sociais não deve se limitar à divulgação de procedimentos ou resultados. Para que o paciente reconheça a competência técnica do profissional, é importante compreender como ele avalia indicações, explica limitações, orienta a recuperação e participa da atualização científica da especialidade. Dessa forma, o conteúdo educativo pode reforçar a credibilidade do médico e ampliar a disponibilidade de informações qualificadas durante diferentes momentos da jornada do paciente.

 

Nesse cenário, o site institucional, o Google, os mecanismos de busca por inteligência artificial e as redes sociais desempenham funções complementares. Enquanto as páginas institucionais organizam informações sobre a trajetória profissional e os serviços, os artigos educativos permitem esclarecer dúvidas e contextualizar decisões médicas. Já os canais sociais podem manter uma comunicação contínua e acessível com o público. Para potencializar essa presença, o consultório precisa adotar uma linguagem coerente, apresentar informações atualizadas e respeitar as diretrizes de publicidade médica estabelecidas pela Resolução CFM nº 2.336/2023.

 

Além disso, a estratégia digital precisa considerar os indicadores de relacionamento, e não apenas o número de novos contatos. Informações sobre retorno espontâneo, continuidade do acompanhamento, dúvidas recorrentes e origem das novas consultas podem ajudar a compreender a experiência do paciente, desde que o consultório utilize esses dados de maneira legítima e preserve sua confidencialidade. Nesse sentido, ferramentas de gestão de relacionamento, também conhecidas como CRM, podem organizar contatos autorizados, históricos administrativos e etapas de atendimento. A tecnologia, porém, deve apoiar a comunicação humana e o acompanhamento profissional, sem transformar decisões clínicas em ações comerciais automáticas.

 

O que a interiorização da cirurgia plástica significa para os consultórios?

A interiorização da cirurgia plástica indica que o mercado brasileiro não se concentra exclusivamente nas capitais e grandes regiões metropolitanas. Conforme o levantamento com cirurgiões associados à SBCP, 54% dos pacientes atendidos vivem no interior, enquanto 46% residem em regiões metropolitanas. O resultado sugere uma distribuição territorial mais ampla da atividade e reforça a importância de estratégias de posicionamento adequadas à realidade de cada município. Entretanto, esses percentuais não significam que todas as cidades apresentam a mesma demanda ou que a concorrência ocorre de maneira uniforme entre as diferentes regiões.

 

Para cirurgiões plásticos que atuam fora dos grandes centros, a visibilidade regional pode representar uma oportunidade de construir autoridade junto a pacientes que procuram atendimento próximo de onde vivem. Nesse contexto, o SEO local, conjunto de estratégias que favorece a localização de informações nos mecanismos de busca, ajuda a organizar a presença digital do consultório. Informações consistentes sobre endereço, qualificações, especialidades registradas e serviços oferecidos contribuem para que o público compreenda a atuação do profissional. Além disso, conteúdos que respondem a dúvidas relacionadas à realidade local podem tornar o site mais relevante para pesquisas específicas.

 

Por outro lado, estar presente no Google não significa necessariamente construir um relacionamento duradouro. O desafio envolve conectar a descoberta do profissional à experiência de atendimento e à continuidade da comunicação. Dessa maneira, a expansão regional identificada pela SBCP reforça a necessidade de estratégias que integrem visibilidade, posicionamento e relacionamento, considerando as particularidades de cada consultório. Para médicos que desejam consolidar sua presença profissional, essa integração oferece uma forma de organizar o crescimento sem depender exclusivamente de campanhas voltadas à captação de novos pacientes.

 

Como transformar o relacionamento com pacientes em uma estratégia para o consultório?

A retenção de pacientes na cirurgia plástica depende de uma experiência consistente, que começa antes da consulta e pode continuar depois do encerramento do acompanhamento clínico. Entretanto, compreender onde existem oportunidades de melhoria exige analisar os canais de comunicação, a organização do atendimento e a maneira como o consultório apresenta sua autoridade profissional. Nesse contexto, a estratégia digital precisa integrar informações de diferentes pontos de contato, respeitando a autonomia do paciente e os limites éticos da publicidade médica.

 

Ana Luiza Viana, estrategista digital especializada no segmento de cirurgia plástica e criadora do Projeto Deluxe, desenvolve estratégias voltadas ao fortalecimento da presença digital de cirurgiões plásticos. Por meio do Ecossistema Consultório Deluxe, integra inteligência de dados, posicionamento no Google e nas buscas por inteligência artificial, comunicação estratégica e processos comerciais, buscando conectar a autoridade profissional às necessidades dos pacientes e aos objetivos de desenvolvimento de cada consultório.

 

Se o seu consultório investe na atração de novos pacientes, mas ainda não acompanha de maneira estruturada o relacionamento após a cirurgia, este pode ser um momento oportuno para avaliar sua estratégia. Agende um diagnóstico estratégico com Ana Luiza Viana e conheça o Projeto Deluxe. A proposta é identificar oportunidades de melhoria na comunicação, no posicionamento e na continuidade do relacionamento com os pacientes.

 

Considerações Finais

Os dados divulgados pela SBCP e pelo Datafolha ampliam a discussão sobre o comportamento dos pacientes de cirurgia plástica no Brasil. A maior proporção de pessoas que já realizaram cirurgia e também recorreram a profissionais não médicos demonstra que a experiência cirúrgica anterior não determina, por si só, todas as escolhas estéticas futuras. Além disso, os fatores relacionados à indicação pessoal, ao preço e à facilidade de acesso mostram que a decisão do paciente envolve diferentes critérios. Para os consultórios, compreender esse cenário representa uma oportunidade de aperfeiçoar a comunicação e oferecer orientações mais consistentes.

 

Nesse contexto, investir exclusivamente na chegada de novos pacientes pode limitar a compreensão da jornada de atendimento. O fortalecimento da autoridade médica também depende da forma como o profissional compartilha conhecimento, organiza a experiência de cuidado e mantém canais adequados de relacionamento. Portanto, a principal contribuição desses números não está em presumir a perda de pacientes para outros profissionais, mas em reconhecer que a comunicação após a cirurgia merece atenção estratégica, tanto para a continuidade do cuidado quanto para a construção de confiança ao longo do tempo.

 

FAQ: perguntas frequentes sobre retenção de pacientes na cirurgia plástica

O que a pesquisa SBCP/Datafolha 2026 revelou sobre procedimentos estéticos?

O levantamento revelou que 26% dos brasileiros conhecem alguém que recorreu a profissionais não médicos para procedimentos estéticos. Além disso, 18% das pessoas que já realizaram cirurgia plástica também procuraram esses profissionais, contra 3% entre aquelas que nunca passaram por cirurgia.

 

Por que pacientes de cirurgia plástica procuram outros profissionais?

Entre os motivos declarados para a escolha de profissionais não médicos, destacam-se indicação de amigos ou familiares (34%), preços mais baixos (28%), percepção de simplicidade do procedimento (22%) e facilidade de acesso (21%). Os dados não permitem identificar a motivação individual de cada paciente.

 

O que é retenção de pacientes na cirurgia plástica?

A retenção corresponde à continuidade de um relacionamento profissional baseado em confiança, experiência de atendimento e acesso a informações qualificadas. Não significa incentivar novas cirurgias, mas preservar um vínculo que permita ao paciente procurar orientação quando necessário.

 

Como melhorar o relacionamento com pacientes após a cirurgia?

O consultório pode organizar o acompanhamento clínico, oferecer orientações educativas, esclarecer dúvidas e manter canais de comunicação autorizados. Além disso, uma presença digital consistente pode facilitar o acesso a informações sobre o profissional e suas áreas de atuação.

 

Como o Projeto Deluxe contribui para a autoridade digital de cirurgiões plásticos?

O Projeto Deluxe, criado por Ana Luiza Viana, integra estratégias de posicionamento digital, inteligência de dados, comunicação e processos comerciais. Sua proposta é fortalecer a presença profissional, melhorar a organização dos pontos de contato e identificar oportunidades de desenvolvimento do consultório.

 

Por que o SEO local é importante para cirurgiões plásticos do interior?

Segundo o levantamento com profissionais associados à SBCP, 54% dos pacientes vivem no interior do Brasil. O SEO local ajuda consultórios a organizar informações sobre localização, qualificações e atendimento, favorecendo sua descoberta em pesquisas relacionadas à cidade ou região.

 

Referências

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução CFM nº 2.336, de 13 de julho de 2023. Dispõe sobre publicidade e propaganda médicas. Brasília, DF: CFM, 2023. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2023/2336. Acesso em: 30 out. 2026.

 

CNN BRASIL. Mais de 6 milhões já fizeram procedimentos estéticos com não médicos no BR. CNN Brasil, 20 out. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/mais-de-6-milhoes-ja-fizeram-procedimentos-esteticos-com-nao-medicos-no-br/. Acesso em: 30 out. 2026.

 

JORNAL O SUL. Um terço dos brasileiros diz que faria uma cirurgia plástica caso fosse gratuita. O Sul, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.osul.com.br/um-terco-dos-brasileiros-diz-que-faria-uma-cirurgia-plastica-caso-fosse-gratuita/. Acesso em: 30 out. 2026.

 

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BUR, J. et al. Patient experiences during the planned perioperative care pathway: an integrative review. Journal of Advanced Nursing, v. 80, n. 10, p. 3886–3898, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jan.16071. Acesso em: 30 out. 2026.

 

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