Como a baixa maturidade em IA na Saúde impacta cirurgiões plásticos?
Publicado em 07/08/2026 por Ana Luiza Viana
Principais tópicos
- O levantamento reuniu 215 respondentes e registrou IMD médio geral de 55,1/100.
- Saúde marcou 36,5/100, a menor pontuação entre dez segmentos, mas teve apenas 8 respostas.
- Entre 66 empresas contratantes, 86% apontaram criação de conteúdo como área beneficiada pela IA.
- Apenas 9% das contratantes citaram SEO e mídia paga entre as áreas mais beneficiadas pela tecnologia.
- O Google exige que páginas estejam indexadas e elegíveis a snippets para poderem aparecer como links de apoio em AI Overviews e AI Mode.
Introdução
A Inteligência Artificial já integra a rotina de marketing de empresas, agências e profissionais, porém usar uma ferramenta para escrever legendas, resumir dados ou criar imagens não significa possuir maturidade digital. Nesse contexto, dados divulgados pela Medicina S/A em agosto de 2026 chamaram atenção para a posição da Saúde no ranking de maturidade em IA aplicada ao marketing, tornando o tema especialmente relevante para clínicas que dependem de visibilidade, reputação e relacionamento.
Entretanto, o resultado precisa ser interpretado com cautela. O levantamento da ActiveCampaign com a Anamid reuniu 215 respondentes, mas somente oito pertenciam ao segmento Saúde, equivalentes a 4% da amostra. Assim, a pontuação de 36,5/100 é um sinal importante naquele grupo, porém não permite afirmar, isoladamente, que todas as organizações de saúde brasileiras apresentam o mesmo nível de maturidade.
O que significa a Saúde ter registrado 36,5 pontos em maturidade de IA no marketing?
Significa que, entre os respondentes classificados no segmento de Saúde, a integração da Inteligência Artificial à estratégia de marketing ainda aparece de forma limitada. O Índice de Maturidade Digital varia de 0 a 100 e considera diferentes dimensões da operação, como estratégia, uso de dados, experiência do cliente, processos, cultura organizacional e inovação. Nesse modelo, pontuações entre 30 e 65 correspondem ao estágio “Envolvido”, faixa em que a Saúde foi classificada ao registrar 36,5 pontos.
Além disso, a distância em relação a outros setores ajuda a dimensionar esse resultado. Tecnologia alcançou 65,1 pontos, Finanças 61,2 e Serviços Profissionais 60,9, enquanto a média geral foi de 55,1 pontos. Entretanto, como o segmento de Saúde contou com apenas oito respondentes, o dado deve ser interpretado com cautela: ele indica uma possível defasagem na adoção estratégica da IA, mas não permite concluir que todo o setor de Saúde brasileiro apresenta o mesmo nível de maturidade.
Por que usar IA apenas para produzir conteúdo não representa maturidade digital?
Porque maturidade digital não significa apenas utilizar ferramentas de Inteligência Artificial, mas integrar essa tecnologia à operação, aos processos e à tomada de decisão. Entre 66 empresas contratantes analisadas separadamente, 86% apontaram a criação de textos, imagens e vídeos como uma das áreas mais beneficiadas pela IA. Em contrapartida, apenas 9% citaram SEO e mídia paga, enquanto 26% mencionaram automação de campanhas e e-mail marketing, o que mostra uma concentração maior em tarefas de produção do que em aplicações estratégicas.
Além disso, 32% das empresas afirmaram utilizar IA sem processos formais, enquanto 48% disseram depender principalmente de recursos já incorporados às próprias plataformas. Esses dados sugerem que a tecnologia ainda é usada, em muitos casos, como apoio pontual à produtividade, e não como parte de uma estrutura integrada de marketing. Nesse sentido, produzir mais conteúdo com IA não significa necessariamente operar com mais eficiência, inteligência ou capacidade de transformar dados e processos em melhores decisões.
Como as buscas com IA mudam a visibilidade digital de uma clínica?
As experiências de busca com Inteligência Artificial criam novas formas de descoberta de informações, mas não existe uma técnica isolada capaz de garantir que uma clínica seja mencionada ou citada em uma resposta generativa. Segundo o Google, recursos como AI Overviews e AI Mode podem apresentar links de apoio considerados relevantes para a consulta do usuário. Para que uma página possa participar dessas experiências, ela precisa estar indexada e apta a aparecer nos resultados de busca, seguindo os critérios técnicos e de qualidade já utilizados pelo mecanismo.
Nesse contexto, o SEO continua sendo fundamental, principalmente quando associado à produção de conteúdo útil, original, confiável e desenvolvido para responder às dúvidas reais das pessoas. Em temas de saúde, esse cuidado se torna ainda mais importante porque o Google os enquadra entre os conteúdos YMYL, sigla para “Your Money or Your Life” — “Seu Dinheiro ou Sua Vida” —, categoria que envolve informações capazes de afetar a saúde, a segurança ou o bem-estar do usuário. Por isso, demonstrar experiência, expertise, autoridade e confiabilidade contribui para fortalecer a qualidade e a credibilidade da presença digital de uma clínica.
Por que esse cenário é especialmente relevante para a cirurgia plástica?
Porque a decisão por uma cirurgia plástica costuma ser precedida por uma etapa importante de pesquisa. Antes de escolher um profissional ou uma clínica, muitos pacientes procuram informações sobre o procedimento, recuperação, possíveis riscos, resultados esperados e experiência do cirurgião. Dados publicados por Janik et al. (2019) mostraram que, no grupo de pacientes estéticos analisados, 56,48% relataram influência da internet na escolha da clínica e 44,33% na escolha do cirurgião, reforçando o papel da presença digital nesse processo de decisão.
Ao mesmo tempo, essa maior dependência de informações encontradas na internet exige atenção redobrada à qualidade do conteúdo publicado. A Organização Mundial da Saúde alerta que modelos generativos podem produzir informações incorretas, imprecisas ou incompletas, especialmente em temas sensíveis como saúde. Por isso, para clínicas de cirurgia plástica, ampliar a visibilidade digital deve caminhar junto com revisão técnica, identificação clara da autoria, uso de fontes confiáveis e produção de conteúdos capazes de orientar o paciente com precisão e responsabilidade.
O que uma operação digital madura deveria integrar em uma clínica de cirurgia plástica?
Uma operação digital madura conecta diferentes frentes do marketing em uma jornada organizada e mensurável. Isso significa integrar conteúdo, site, presença orgânica, mídia paga, dados, atendimento e relacionamento, em vez de tratar cada canal de forma isolada. Nesse modelo, uma pauta educativa pode se transformar em uma página estruturada no site, responder a dúvidas reais dos pacientes, abastecer redes sociais e campanhas e ainda apoiar o acompanhamento comercial dos contatos gerados.
Ao mesmo tempo, essa integração precisa respeitar regras específicas da área da saúde. A Resolução CFM nº 2.336/2023 estabelece diretrizes para a publicidade médica, enquanto a LGPD classifica dados relacionados à saúde como dados pessoais sensíveis, sujeitos a proteção reforçada. Por isso, formulários, automações, sistemas de CRM e ferramentas de Inteligência Artificial devem ser utilizados com finalidade definida, controle de acesso, segurança da informação, governança e supervisão adequada, especialmente quando envolvem dados de pacientes ou potenciais pacientes.
Como transformar esse cenário em posicionamento digital para a clínica?
A oportunidade está em construir uma estrutura digital mais organizada, e não simplesmente ampliar o número de ferramentas utilizadas pela clínica. Isso envolve produzir conteúdos a partir de dúvidas reais dos pacientes, manter um site acessível aos mecanismos de busca, apresentar autoria e credenciais de forma clara, utilizar fontes confiáveis e acompanhar a origem dos contatos gerados. Além disso, processos de relacionamento e acompanhamento ajudam a transformar a presença digital em uma operação mais consistente e mensurável.
Nesse cenário, a Inteligência Artificial deve funcionar como apoio à estratégia, e não como substituta dela. A tecnologia pode contribuir para organizar pautas, analisar dados, identificar padrões e apoiar a personalização da comunicação, desde que exista supervisão humana em todas as etapas relevantes. Dessa forma, princípios como transparência, responsabilidade, autonomia e segurança passam a orientar o uso da IA, reduzindo riscos e aumentando a capacidade da clínica de utilizá-la de maneira realmente estratégica.
Como Ana Luiza Viana pode ajudar a estruturar essa transformação?
Ana Luiza Viana, Estrategista de Clínicas de Cirurgia Plástica, atua no desenvolvimento de estratégias de marketing e comunicação voltadas ao posicionamento de cirurgiões plásticos. O trabalho envolve planejamento editorial, produção de conteúdo, fortalecimento da autoridade digital, presença nos mecanismos de busca, campanhas de mídia e construção de jornadas de comunicação alinhadas ao perfil de pacientes que cada profissional pretende alcançar.
Assim, o objetivo é inserir a IA dentro de uma operação com estratégia, processos e acompanhamento, em vez de tratá-la como recurso isolado. Para entender em que estágio sua clínica está, quais pontos limitam sua visibilidade e onde existem oportunidades de integração entre conteúdo, busca, mídia e relacionamento, fale com Ana Luiza Viana e solicite um diagnóstico da sua operação digital.
Considerações Finais
A pontuação de 36,5 registrada pelo segmento Saúde sinaliza uma lacuna relevante, embora o número reduzido de participantes exija cautela em generalizações. Ainda assim, os dados gerais mostram que a IA permanece concentrada em produtividade e criação de conteúdo, enquanto integração, capacitação, governança e automação avançam mais lentamente.
Para a cirurgia plástica, presença digital competitiva exige informação confiável, site tecnicamente acessível, autoridade profissional e processos capazes de acompanhar a jornada do paciente. Em um ambiente no qual busca tradicional e experiências generativas convivem, clínicas com estrutura e consistência ampliam suas possibilidades de serem encontradas e compreendidas, sem promessas de posicionamento que nenhum sistema de IA pode garantir.
FAQ: perguntas frequentes sobre IA no marketing da Saúde e cirurgia plástica
O setor de Saúde realmente ficou em último lugar em maturidade de IA?
Sim, dentro dos dez segmentos apresentados pelo levantamento, Saúde registrou a menor pontuação, com IMD de 36,5/100. Entretanto, o recorte reuniu somente oito respondentes, por isso o resultado não deve ser generalizado para todo o mercado brasileiro de saúde.
Usar ChatGPT para criar posts significa que uma clínica tem maturidade em IA?
Não. A utilização de IA para produção de conteúdo representa apenas uma aplicação da tecnologia. Maturidade envolve também processos, dados, integração entre sistemas, mensuração, capacitação, governança e utilização estratégica das informações.
É preciso fazer um SEO diferente para aparecer no AI Overview do Google?
Não existe um SEO exclusivo para AI Overviews. O Google afirma que as práticas fundamentais de SEO continuam válidas e que não há requisitos técnicos adicionais específicos; a página precisa estar indexada, elegível a snippets e seguir as políticas da Busca.
Conteúdo médico produzido com IA pode ser publicado sem revisão?
A revisão humana é especialmente importante em informações relacionadas à saúde. A OMS reconhece que modelos generativos podem produzir respostas falsas, imprecisas, enviesadas ou incompletas, razão pela qual recomenda mecanismos de supervisão, transparência e responsabilidade.
Uma clínica pode usar IA nos dados de pacientes e leads?
O uso depende da finalidade, da base legal aplicável e da forma de tratamento dos dados. Informações referentes à saúde são classificadas pela LGPD como dados pessoais sensíveis e recebem proteção reforçada, o que torna a governança e a segurança particularmente importantes.
Referências
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