Brasileiras que vivem no exterior voltam ao Brasil para fazer cirurgia plástica
Publicado em 21/08/2026 por Ana Luiza Viana
Principais tópicos
- O Brasil realizou aproximadamente 2,3 milhões de procedimentos cirúrgicos estéticos em 2024, ocupando a primeira posição mundial nessa categoria, segundo a ISAPS.
- Um levantamento divulgado pela BAPS em 2026 estimou impacto econômico de R$ 80 mil a R$ 170 mil por paciente internacional, considerando cirurgia, hospedagem, transporte e pós-operatório.
- Segundo os mesmos dados setoriais da BAPS, esses pacientes permanecem, em média, entre 15 e 30 dias no Brasil.
- Entre 500 pacientes avaliados por Montemurro et al. (2015), 95% utilizaram a internet antes da consulta e 68% disseram que esse foi o primeiro meio utilizado para procurar informações.
- Em levantamento com 593 participantes, avaliações online do cirurgião, presença no acompanhamento e disponibilidade de informações sobre preços ficaram entre os fatores mais valorizados antes da primeira consulta.
Introdução
Iniciamente, o turismo médico ocorre quando uma pessoa viaja para outra cidade, região ou país com a finalidade de receber atendimento de saúde. Na cirurgia plástica estética, esse deslocamento pode envolver desde pacientes estrangeiros até brasileiros que passaram a viver fora e retornam temporariamente para realizar um procedimento. Nesse sentido, a ISAPS reconhece o crescimento dessa prática e orienta que planejamento, qualificação profissional, comunicação, acompanhamento e continuidade dos cuidados sejam avaliados antes da viagem.
Além disso, o movimento ganhou visibilidade no Brasil em 2026. Em março, um conteúdo patrocinado publicado pela Forbes Portugal apresentou São Paulo como participante de um novo circuito internacional de medicina estética; em abril, a BAPS realizou um encontro dedicado ao turismo de saúde e à atração de pacientes estrangeiros e expatriados. Portanto, além da dimensão médica, o tema passou a envolver experiência, estrutura assistencial, comunicação e capacidade das clínicas brasileiras de serem encontradas por pacientes que iniciam a decisão a milhares de quilômetros de distância.
Por que o Brasil ganhou relevância internacional na cirurgia plástica?
O Brasil possui uma posição objetiva de destaque porque lidera mundialmente o número estimado de cirurgias estéticas realizadas por cirurgiões plásticos. De acordo com o Global Survey 2024 da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética), foram aproximadamente 2,3 milhões de procedimentos cirúrgicos no país. Considerando procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos conjuntamente, o Brasil somou cerca de 3,1 milhões, ficando atrás dos Estados Unidos no volume total.
Esse volume ajuda a explicar por que a cirurgia plástica brasileira permanece visível internacionalmente, porém quantidade de procedimentos não equivale, isoladamente, à qualidade de uma experiência voltada ao paciente estrangeiro. A própria ISAPS mostra que países como Tunísia, Emirados Árabes Unidos, Colômbia e Turquia apresentam algumas das maiores proporções de pacientes vindos do exterior. Assim, transformar reconhecimento técnico em turismo médico depende também de uma estrutura capaz de organizar comunicação, hospital, hospedagem, recuperação e continuidade assistencial.
Quem são as brasileiras que retornam ao país para realizar cirurgia plástica?
Parte desse mercado é composta por brasileiras que passaram a residir em outros países e retornam temporariamente ao Brasil para tratamento. Um levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética em 2026 descreveu principalmente pacientes procedentes dos Estados Unidos, Portugal e de outros países europeus. A BAPS utilizou a expressão “migração reversa” para caracterizar esse retorno de brasileiros residentes no exterior com finalidade de realizar procedimentos de saúde no país.
Além disso, os dados divulgados pela entidade estimaram que esses pacientes ficam entre 15 e 30 dias no Brasil e movimentam entre R$ 80 mil e R$ 170 mil ao considerar cirurgia, hospedagem, deslocamentos e cuidados pós-operatórios. Logo, esses números devem ser interpretados como um levantamento setorial divulgado pela BAPS, e não como uma estimativa epidemiológica nacional, pois o material público consultado informa que profissionais e equipes foram ouvidos, mas não apresenta detalhadamente a metodologia, o tamanho da amostra ou os intervalos estatísticos utilizados.
Como Google, avaliações online e redes sociais influenciam a escolha do cirurgião?
A jornada de escolha começa frequentemente no ambiente digital. Dados publicados por Montemurro et al. (2015), envolvendo 500 pacientes interessados em cirurgia plástica estética, mostraram que 95% utilizaram a internet para buscar informações antes da consulta e 68% consideraram a internet seu primeiro meio de pesquisa. Além disso, 46% utilizavam redes sociais e, entre esses usuários, 40% relataram influência significativa dessas plataformas na escolha de um médico específico.
Resultados mais recentes reforçam que presença digital não significa apenas publicar nas redes sociais. Fung et al. (2023) avaliaram 593 participantes e identificaram avaliações online do cirurgião, presença do profissional no acompanhamento e disponibilidade prévia de informações financeiras entre os itens mais valorizados para marcar uma consulta. Da mesma forma, Parus et al. (2022) observaram que experiência profissional, formação específica e opiniões de outros pacientes participam da percepção de confiança na escolha de quem realizará um procedimento estético.
O que uma clínica precisa comunicar para gerar confiança em uma paciente que está no exterior?
Uma clínica voltada ao paciente internacional precisa tornar compreensíveis, antes da viagem, aspectos que normalmente seriam esclarecidos presencialmente. Isso inclui qualificação do profissional, procedimentos realizados, estrutura utilizada, processo de consulta, necessidade de exames, planejamento da chegada, recuperação e acompanhamento posterior. Nesse contexto, a ISAPS recomenda que o paciente confirme inclusive se o cirurgião e a equipe conseguem se comunicar em seu idioma e como ocorrerá a continuidade do cuidado depois do retorno ao país onde reside.
Por outro lado, simplesmente produzir grande quantidade de conteúdo não resolve o problema. McMahon, Gressmann e Martin-Smith (2023) identificaram que boa parte das informações disponíveis online sobre cirurgia estética no exterior vinha de fontes comerciais e apresentava limitações de qualidade ou informações relevantes incompletas. Como consequência, uma estratégia de autoridade digital para cirurgia plástica precisa priorizar conteúdo verificável, riscos, limites, formação profissional, acompanhamento e critérios de segurança, em vez de transformar o procedimento em uma promessa publicitária simplificada.
Por que a jornada da paciente internacional não termina quando a cirurgia é agendada?
A jornada precisa continuar porque uma paciente que mora no exterior enfrenta desafios adicionais de acompanhamento e logística. Assim, a ISAPS orienta que o planejamento inclua onde ocorrerá a recuperação, por quanto tempo o paciente permanecerá próximo ao local da cirurgia, quem prestará assistência após a alta e como possíveis intercorrências serão acompanhadas quando houver retorno ao país de residência. Dessa forma, a organização do pós-operatório deve fazer parte da decisão antes mesmo da compra das passagens.
Nesse sentido, dados reunidos por Xu, Wang e Du (2020) mostram que fatores como qualidade percebida, custos, disponibilidade do procedimento e tempo de espera participam da decisão pelo tratamento internacional, enquanto internet, relatos de outros pacientes e orientações profissionais aparecem entre as principais fontes consultadas. Portanto, a clínica que pretende atender esse público precisa pensar a experiência como uma sequência integrada entre descoberta, consulta, planejamento, cirurgia, recuperação e continuidade do relacionamento após a paciente deixar o Brasil.
Como o posicionamento digital pode aproximar cirurgiões brasileiros de pacientes internacionais?
O posicionamento digital pode reduzir a distância entre uma paciente que pesquisa no exterior e um cirurgião localizado no Brasil ao tornar experiência, formação, abordagem e jornada assistencial mais fáceis de compreender. Além do mais, na prática, isso envolve construir páginas encontráveis nos mecanismos de busca, conteúdos educativos, presença consistente nas redes sociais, informações sobre consulta a distância e materiais que antecipem dúvidas sobre planejamento, recuperação e acompanhamento. Logo, trata-se de uma aplicação estratégica das evidências de que internet e reputação online participam da escolha do profissional.
Além disso, clínicas que desejam alcançar também pacientes estrangeiros não lusófonos podem avaliar uma estrutura de comunicação bilíngue, desde que o conteúdo preserve precisão médica e coerência entre aquilo que aparece online e o atendimento real. Essa é uma consequência prática das recomendações da ISAPS sobre comunicação no idioma do paciente e continuidade do cuidado. Assim, internacionalizar o posicionamento não significa simplesmente traduzir um site, mas tornar toda a jornada digital compreensível para alguém que precisa decidir sobre médico, viagem e cirurgia à distância.
Como Ana Luiza Viana pode ajudar a estruturar o posicionamento para pacientes internacionais?
Ana Luiza Viana, Estrategista de Clínicas de Cirurgia Plástica, atua no desenvolvimento de estratégias de marketing e comunicação voltadas ao posicionamento de cirurgiões plásticos. Nesse cenário, o trabalho pode envolver planejamento editorial, produção de conteúdos de autoridade, estruturação da presença nos mecanismos de busca, fortalecimento da reputação digital, mídia e construção de jornadas de comunicação capazes de apresentar a clínica antes mesmo de a paciente chegar ao Brasil.
Assim, o objetivo é transformar a oportunidade do turismo médico em uma estratégia organizada de posicionamento, e não apenas criar publicações direcionadas a quem vive fora do país. Para entender se sua clínica está preparada para ser encontrada, avaliada e escolhida por brasileiras que moram no exterior e por outros perfis de pacientes internacionais, fale com Ana Luiza Viana e marque uma consulta estratégica para avaliar sua operação digital.
Considerações Finais
O crescimento da circulação internacional de pacientes encontra no Brasil um cenário particular: o país já ocupa a primeira posição mundial em volume de cirurgias estéticas, enquanto entidades do setor começam a discutir como transformar essa capacidade em uma jornada estruturada de turismo de saúde. Entretanto, competir por esse paciente exige mais do que técnica cirúrgica, pois decisão, planejamento da viagem, recuperação e acompanhamento passam por diferentes pontos de contato antes e depois da operação.
Como consequência, o digital assume uma função mais ampla do que simplesmente divulgar uma clínica. Para uma paciente que está nos Estados Unidos, Portugal, Reino Unido ou em qualquer outro país, site, resultados de busca, avaliações e conteúdos podem constituir os primeiros elementos utilizados para decidir se aquele profissional merece uma consulta. Portanto, clínicas interessadas nesse movimento precisam aproximar autoridade médica, informação confiável, experiência assistencial e posicionamento digital dentro de uma mesma jornada.
FAQ: perguntas frequentes sobre turismo médico e cirurgia plástica no Brasil
O Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo?
Segundo o Global Survey 2024 da ISAPS, sim quando são considerados procedimentos cirúrgicos estéticos realizados por cirurgiões plásticos. Assim, o Brasil registrou aproximadamente 2,3 milhões de cirurgias em 2024.
O que é turismo médico em cirurgia plástica?
Turismo médico é o deslocamento para outra região ou país com a finalidade de realizar atendimento médico. Assim, na cirurgia plástica, envolve pacientes que viajam especificamente para consultas, procedimentos e recuperação pós-operatória.
O que significa migração reversa na cirurgia plástica?
A BAPS utilizou a expressão em 2026 para descrever brasileiros que residem no exterior e retornam temporariamente ao país para realizar tratamentos e procedimentos de saúde. Logo, o termo aparece no levantamento setorial divulgado pela entidade.
Quanto um paciente internacional movimenta ao realizar uma cirurgia no Brasil?
Segundo levantamento divulgado pela BAPS, o impacto econômico estimado varia entre R$ 80 mil e R$ 170 mil, somando cirurgia, hospedagem, transporte e pós-operatório. A metodologia completa desse levantamento não está detalhada no material público consultado.
Quanto tempo um paciente internacional permanece no Brasil após a cirurgia?
Dados divulgados pela BAPS apontam permanência média entre 15 e 30 dias nesse público. No entanto, o tempo clinicamente necessário pode variar de acordo com o procedimento realizado, a evolução da recuperação e, principalmente, a orientação do cirurgião responsável.
Como os pacientes escolhem um cirurgião plástico pela internet?
Evidências disponíveis indicam que diferentes fatores participam desse processo de escolha, entre eles, avaliações online, experiência profissional, formação, informações oferecidas no site, acompanhamento e presença digital. Dessa forma, conteúdos médicos claros e uma reputação online consistente podem influenciar a percepção do paciente e, consequentemente, sua decisão antes mesmo da primeira consulta.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIRURGIA PLÁSTICA ESTÉTICA (BAPS). BAPS Summit Turismo de Saúde 2026. 2026. Disponível em: https://baps.global/summit-turismo-saude-2026. Acesso em: 14 ago. 2026.
DINO. Especialistas debatem futuro do turismo de saúde brasileiro. Estado de Minas, 9 abr. 2026. Disponível em: https://www.em.com.br/mundo-corporativo/2026/04/7394351-especialistas-debatem-futuro-do-turismo-de-saude-brasileiro.html. Acesso em: 14 ago. 2026.
FORBES LAB. Cirurgia plástica no Brasil torna-se experiência global. Forbes Portugal, 31 mar. 2026. Conteúdo patrocinado. Disponível em: https://www.forbespt.com/cirurgia-plastica-no-brasil-torna-se-experiencia-global/. Acesso em: 14 ago. 2026.
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Demais referências
INTERNATIONAL SOCIETY OF AESTHETIC PLASTIC SURGERY (ISAPS). Make a Plan: considering your procedure abroad. Disponível em: https://www.isaps.org/discover/patients-home/considering-your-procedure-abroad/make-a-plan/. Acesso em: 14 ago. 2026.
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